Economia Digital está a crescer e tem oportunidades a explorar no Reino Unido

Ana Velez Notícias

Os números da Economia Digital em Portugal mostram um grande potencial de crescimento, na utilização de particulares e nas transações entre empresas. Os mercados de exportação são uma oportunidade a explorar, com o Reino Unido no top da lista.

Um quarto das empresas em Portugal tem iniciativas de transformação digital em curso, e as tecnologias prioritárias de investimento estão centradas na mobilidade, cibersegurança e serviços de cloud computing. A tendência é imparável e é uma aposta que as empresas têm de fazer para se manterem competitivas e explorarem as oportunidades de um mercado cada vez mais globalizados, defendeu Alexandre Nilo Fonseca na sessão de abertura do Portugal Digital Summit, que este ano decorre nos dias 23 e 24 de outubro, em Lisboa, no Pavilhão Carlos Lopes.

“O Digital deixou de ser um tema da tecnologia. É dos negócios, está nos conselhos de administração e com os CEOs”, afirmou Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI, lembrando que os benefícios mais referenciados pelas empresas na transformação digital se focam na inovação em produtos e serviços e na fidelização dos clientes. Os números do último estudo da ACEPI com a IDC mostram que o número de portugueses que compram online está a crescer, com 3,5 milhões a usarem a internet para fazer compras, gastando 4,6 mil milhões de euros, num crescimento de 11% face a 2016.

“Vestuário, acessórios de moda, equipamentos de comunicações móveis e acessórios são os produtos de distribuição física mais adquiridos com recurso à internet”, explica Alexandre Fonseca que refere ainda um crescimento significativo nos produtos alimentares, que deverá continuar e afirmar-se como tendência. As previsões indicam que 7,1 milhões de portugueses comprem online em 2025, sublinhando uma tendência de crescimento que se tem afirmado nos últimos anos.

A ACEPI assinala este ano os 18 anos de atividade e Alexandre Nilo Fonseca sublinha a forma como a Economia Digital evoluiu, mas refere que o principal fator de atraso está ainda nas empresas, onde 60% dos negócios não tem sequer presença online. É nesta área que a Associação da Economia Digital está a colocar uma parte significativa do seu esforço, com várias iniciativas em curso para ajudar a digitalização das empresas e a utilização de ferramentas digitais. O presidente da ACEPI referiu o Norte Digital e o Comerciodigital.pt, dois projetos desenvolvidos em parceria com outras associações e organizações e com o recurso a fundos europeus para ajudar as PME a fazer a transformação digital.

Segundo os dados do estudo realizado com a IDC, as compras eletrónicas em B2B ultrapassaram os 70 mil milhões de euros online, num crescimento de 11% face a 2016, devendo atingir os 131 mil milhões em 2025. As compras do Estado através de plataformas eletrónicas são um dos fatores de crescimento, mas também as exportações. “Das empresas que vendem online, 18% vendem fora de Portugal. É uma grande oportunidade que tem de ser aproveitada”, sublinha Alexandre Fonseca.

Competências para um país mais competitivo

“Portugal vive um momento importante. Nunca se falou tanto de digitalização mas, apesar do que se fala, o caminho a percorrer e potencial por concretizar são ainda enormes. É preciso mais, muito mais”, defendeu Miguel Frasquilho, presidente do Portugal Digital Summit, lembrando que Portugal tem uma oportunidade impar com a digitalização. A conferência anual da ACEPI pretende contribuir para este desenvolvimento, com o intercâmbio e partilha de experiências que se pretende que sirvam para inspirar e dotar as empresas e organizações de conhecimento. “Queremos contribuir para um Portugal mais digital e ainda mais competitivo, mais sustentável”, afirmou Miguel Frasquilho, destacando que é estimulante e encorajador ver que existem tantas entidades, empresas e pessoas envolvidas nos temas da Economia Digital.

Com o mesmo referencial, Luisa Gueifão, presidente do .pt, assinalou os 30 anos da delegação do domínio de topo português, lembrando que há 30 anos a internet dava os primeiros passos e que muito já mudou. A adaptação das competências é uma das questões importantes e salvaguardar neste processo de evolução, e que é preciso ensinar os mais novos a terem uma grande dose de flexibilidade, empatia e estabilidade emocional para enfrentarem as mudanças que não vamos conseguir prever. Esta é uma área onde o .pt se tem envolvido, através de várias parcerias, e no qual acredita que é preciso continuar a investir no futuro.

Destino digital, com passagem obrigatória no Reino Unido

Este ano o Reino Unido é o país convidado da Portugal Digital Summit e o embaixador do Reino Unido em Portugal, Christopher James Sainty, referiu este convite com apreço, sublinhando que o Digital e Portugal são duas palavras importantes para o Reino Unido. “O digital está a mudar a nossa vida e acreditamos que o Reino Unido pode ter um papel muito importante. Somos uma sociedade e economia aberta, temos indústria relevante e reputação de padrões elevados e instituições respeitadas, mas também investigação e educação de grande qualidade”, afirmou.

Entre as áreas de liderança identificadas estão a inteligência artificial, o crescimento sustentável e a resolução de necessidades de uma sociedade em processo de envelhecimento, e é aqui que o Reino Unido tem investido. E Portugal? “Cheguei há poucas semanas mas impressões são muito positivas. O país está cheio de confiança e em todo o lado vemos sinais de desenvolvimento”, afirma, lembrando que temos história de parceria entre os dois países e está a assistir-se um desenvolvimento das relações económicas, com o comércio bilateral a crescer 50%. “Este summit é uma oportunidade brilhante para desenvolver as ligações entre os dois países e desenvolver as oportunidades económicas”, afirmou ainda.

Já durante o primeiro painel, David Prodger, Deputy Director for International, UK Government Department for Digital, Reino Unido, abordou de forma mais detalhada a estratégia digital do Reino Unido, e o investimento nas várias áreas prioritárias, com especial enfoque na inteligência artificial, na investigação e desenvolvimento e na educação. “Não sabemos que alterações o digital vai trazer mas será uma mudança cada vez mais rápida e temos de lutar para nos mantermos a par [… ] Temos um potencial grande se conseguirmos fazer bem”, explicou perante uma audiência de várias centenas de pessoas. A colaboração internacional é apontada como a chave para o crescimento económico e um melhor suporte à evolução do digital. “Não queremos centralizar, mas queremos manter internet aberta e criar as reformas para a era digital, suportar as tecnologias e proteger a economia digital”, avisa.

Pagamentos em transformação

No painel dedicado às estratégias para acelerar a economia digital, Madalena Cascais Tomé, presidente da Comissão Executiva da SIBS, abordou os entraves que ainda existem aos pagamentos digitais. A responsável lembrou que Portugal tem um dos sistemas de pagamentos digitais mais avançados do Mundo, mas que há ainda uma prevalência muito importante dos pagamentos em dinheiro, que representam 70% do total. E isto tem um custo elevado para a economia. São sobretudo pagamentos abaixo dos 20 euros, mas a taxa está muito acima da registada na Europa, onde não ultrapassa dos 49%.

Segundo as contas da SIBS, estes pagamentos têm um custo de 1,6 mil milhões de euros, o que representa 1% do PIB, e é preciso somar os custos não mensurados, da informalidade, que têm um peso muito importante. Madalena Tomé refere que em Portugal cerca de 20% do PIB, 40 mil milhões de euros, está ligado a esta economia informal, ou shadow economy.

Fazer esta transição para os pagamentos digitais não é uma questão de tecnologia mas sim de usabilidade, porque se os meios estiverem disponíveis, forem fáceis de usar e com casos provados, os utilizadores aderem. E para isso deu o exemplo do MBWay, que já conta com quase um milhão de utilizadores e regista 1 milhão de transações por mês, com grande adesão entre os jovens.

“A aceitação geral dos meios de pagamentos digitais será um enorme passo em frente. Seria um grande fator impulsionador de crescimento”, afirma