A inovação já nos transformou, mas a viagem só está a começar

Ana Velez Notícias

Uma panóplia de novas tecnologias e a utilização que delas fazemos está a mudar o mundo, a forma como trabalhamos ou como tiramos partido dos momentos de lazer e a velocidade a que essas mudanças acontecem é cada vez maior, esbatendo distâncias entre regiões do globo, ditas mais e menos avançadas, na utilização de ferramentas e conteúdos digitais.

Estas questões centraram o debate no painel Acelerar a Inovação Com Tecnologias Digitais Avançadas, no segundo dia do Portugal Digital Summit’18.

Sofia Tenreiro, country manager da Cisco, partilhou vários exemplos desta mudança. Sublinhou a importância que o telemóvel assumiu, ou a importância de estar permanentemente ligado à internet, lembrou que um carro pode hoje (e nalguns casos tem) mais linhas de código que um programa de computador aparentemente complexo e recordou a visão futurista da dupla kit/michael knight, que finalmente se concretiza, com a chegada iminente dos carros autónomos e a utilização já abrangente de wearables (relógios para onde podemos falar, mas não só).

Num universo dominado pela conectividade, “a informação é claramente o bem mais precioso que temos hoje em dia” e as formas de a obter e trabalhá-la podem ser impressionantes. Um estudo sobre o Facebook, destacado pela mesma interveniente, demonstrou que a rede social precisa de 150 likes para conhecer alguém tão bem como um familiar dessa pessoa. Precisa de 300 para aproximar o nível de conhecimento do mesmo utilizador, àquele que tem a sua esposa, marido ou companheiro.

Os próximos mil milhões estão a caminho da internet

A preponderância das redes sociais na utilização de serviços digitais é reconhecida e uma realidade em qualquer região do globo. A apetência estende-se ao consumo de serviço digitais de um modo geral. Em África, o crescimento anual de utilizadores de internet tem rondado os 20%, lembrou António Nunes, CEO da Angola Cables, que partilhou no painel a experiência e a estratégia da empresa. A companhia acaba de inaugurar uma ligação submarina de fibra ótica direta entre África e as Américas (Ceará e Luanda), uma infraestrutura que vai ajudar a transformar drasticamente a experiência de quem usa serviços digitais no continente africano, facilitar negócios e o desenvolvimento de um mercado de conteúdos.

A estratégia de desenvolvimento da Angola Cables, detida por cinco operadores africanos, é agressiva e tem como principal objetivo contribuir para tornar a conetividade tão fácil e conveniente no hemisfério sul, como é hoje no hemisfério norte. “Queremos trazer as dinâmicas que já marcam a atividade no hemisfério norte para o hemisfério sul”, admitiu António Nunes, confirmando que a intenção é fazê-lo rapidamente.

Resta sublinhar que o raio de atividade da Angola Cables vai desde a América Latina à Ásia, passando por África, as três regiões do globo que mais vão contribuir para ligar à internet os próximos mil milhões de utilizadores.

Inovar como?

Num mundo dominado pela tecnologia, os desafios da segurança e a dificuldade em definir os investimentos certos, na hora certa, também foram tema de debate. Frank Wammes, chief technology officer application systems continental Europe, da Cap Gemini sublinhou três dimensões que hoje se destacam: social, mobile e cloud e observou que os unicórnios (startups com uma valorização superior a mil milhões de dólares) conseguiram, todos eles, fixar-se na interceção destes três pontos.

Numa observação mais alargada do mercado, as pesquisas da consultora mostram que “a divisão entre o negócio e o IT é maior que nunca” e isso tem feito diminuir o nível de empresas que se posicionam num nível de inovação e adoção sustentada e consistente de novas tecnologias.

Em Portugal, Sofia Tenreiro sublinhou a inovação destacada de sectores como a distribuição, ou os serviços financeiros, admitindo que nas PME continua a haver trabalho a fazer, que na maior parte dos casos terá a ver com a falta de conhecimento, sobre o melhor caminho a escolher para inovar e adotar novas tecnologias transformadoras.

“É importante educar mais para que as pessoas estejam mais confiantes”, defendeu a diretora-geral da Cisco. No domínio da segurança e das preocupações das empresas nacionais com o tema, a gestora sublinhou que a evolução nos últimos três anos tem sido grande e que embora os CEOs portugueses hoje continuem preocupados com o ROI, estão muito mais conscientes de outras questões.

O Portugal Digital Summit’18 decorre nos dias 23 e 24 de outubro de 2018 no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, e é o evento de referência da Economia Digital em Portugal. A conferência é organizada pela ACEPI – Associação da Economia Digital, e está integrada na Portugal Digital Week, que conjuga vários eventos e a entrega dos Prémios ACEPI Navegantes XXI, e ainda o Dia das Compras na Net.