Internacionalizar: Pensar global e agir local desde o principio é obrigatório no digital

Ana Velez Notícias

« VoltarNão faz sentido que as empresas sejam criadas a pensar só no mercado português. As grandes oportunidades estão na internacionalização e a Outsystems, a UnDandy e a WyGroup partilharam experiências no Portugal Digital Summit.

Competir globalmente é um desafio, mas tem de ser uma estratégia de base nas novas empresas, e uma mudança vital para as chamadas empresas tradicionais. A ideia foi defendida por todos os oradores do painel “Competir Globalmente na Era Digital”, que encerrou os debates no palco Strategy for Digital.

Adolfo Fernandez, Global Program International Growth Manager, da Google, partilhou a experiência da empresa e a ideia de que é preciso pensar global e agir local. O executivo partilhou alguns números e lembrou que 72% dos consumidores fazem pesquisas na sua própria língua e que 82% dos consumidores têm mais tendência a clicar em promoções na sua língua nativa.

“As empresas têm de ter uma lógica ‘Global by design’ e aproveitar as novas tecnologias que reduzem as barreiras de entrada para as empresas que querem internacionalizar-se”, refere.

Mesmo assim, não podem dispensar serviços, como a logística e os pagamentos, e nesta área a Chronopost, do Grupo DPD, tem feito um grande investimento para aumentar a rede de suporte às empresas e a proximidade aos consumidores. Carla Pereira, diretora de marketing e comunicação da Chronopost Portugal referiu que “as pessoas querem ter um fornecedor de confiança quando compram produtos, locais e no estrangeiro”, e que este é um factor importante para ultrapassar as barreiras de compras transfronteiriças, o geoblocking. Em média as empresas do grupo DPD entregam 4,8 milhões de encomendas por dia, e cada português recebe duas encomendas por ano.

A experiência feita no terreno

A UnDandy, a Outsystems e a WyGroup foram as empresas portuguesas que participaram no painel partilhando as suas experiências de sucesso na internacionalização, mas também erros.

Rui Pereira, vice-presidente e fundador da Outsystems, a tecnológica que é líder na área de low code e um dos unicórnios portugueses, lembrou que nos últimos 17 anos muito mudou no mercado, e que foi preciso enfrentar muitas tormentas no processo de internacionalização.

Atualmente a Outsystems está em mais de 50 países e tem mais de 900 pessoas, cerca de 500 em Portugal, onde mantém a base de desenvolvimento. Perante a audiência, o empreendedor partilhou 6 erros que a Outsystems fez durante este processo de internacionalização, apesar de admitir que podem não se aplicar em todas as empresas, mas que é bom todos os executivos olharem para esta experiência.

Alguns dos erros partem de ideias pré-feitas que a tecnológica conseguiu ultrapassar, como a importância de ter um grande parceiro, ou de contratar um general manager em cada país onde quer fazer negócio. Mas há também ideias para a gestão do talento, e a necessidade de criar uma cultura distintiva, e nesta área a Outsystems desenvolveu mesmo um “culture book” que é partilhado com todos os colaboradores.

Uma experiência bastante diferente é a da UnDandy, que vende online sapatos costumizados e que não tem qualquer presença física nos 140 países para os quais comercializa os seus produtos. “Desde o primeiro dia abrimos o negócio a pensar no mundo”, explica Rafic Daud, Presidente Executivo e Fundador, que afirma que a prioridade nunca foi Portugal, onde faz menos de 1% da faturação que já chega aos 3 milhões de euros e que sempre usou as ferramentas digitais para selecionar os clientes. “Não há melhor altura para começar um negócio, chegámos em 3 anos a 140 países e nunca me meti num avião, nunca fui a uma feira”, justifica.

Pedro Janela, presidente executivo da WyGroup, teve mesmo de se meter no avião e viajar para conseguir vender os serviços de marketing digital da empresa fora e Portugal, e ao fim de mais de uma década diz que o seu erro foi não ter tomado essa opção mais cedo. “Cada cultura tem as suas marcas, em muitos mercados há coisas semelhantes e diferentes, mas os portugueses são excelentes a fazer essa adaptação”, lembra. Hoje toda a gente sabe onde é Portugal e há um reconhecimento da qualidade do trabalho e das competências europeias, e isso ajuda.

Mas sobretudo, nos mercados nórdicos e nos Estados Unidos as empresas estão habituadas a pagar pela qualidade do trabalho e estão focadas na eficiência da entrega, e não na negociação de descontos. “Temos um talento brutal, mas somos pouco. Somos bons à escala mundial mas não nos podemos vender a quem não paga bem”, avisa Pedro Janela.

O Portugal Digital Summit’18 decorre nos dias 23 e 24 de outubro de 2018 no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, e é o evento de referência da Economia Digital em Portugal. A conferência é organizada pela ACEPI – Associação da Economia Digital, e está integrada na Portugal Digital Week, que conjuga vários eventos e a entrega dos Prémios ACEPI Navegantes XXI, e ainda o Dia das Compras na Net.