Industries going Digital

Empresas de consumo trocam produtos por venda de experiências

Garantir uma boa experiência de marca é a grande prioridade das empresas que trabalham o mercado de consumo. A confiança é o trunfo mais importante.

Ganhar tempo é atualmente sinónimo de qualidade de vida e é por esta razão que os consumidores privilegiam produtos e serviços simples e eficientes que tornem o seu dia-a-dia pessoal e profissional mais fácil. Se uma solução não aporta valor, ou não oferece uma boa experiência de utilização, é descartada.

Este novo perfil de consumidor está a obrigar as marcas a reinventarem o seu negócio e modelos de comunicação. “Já não podemos apenas vender um produto, temos que vender um serviço, uma experiência. Temos que perceber as expectativas dos consumidores para conseguirmos responder adequadamente e rapidamente às suas exigências”, disse Cristina Reque, Marketing Director Portugal and Spain da Miele, durante a sua intervenção na sessão “Lifestyle”, que decorreu no palco Industries Going Digital .

O argumento da “simplificação de tarefas”, tipicamente utilizado pelas soluções profissionais, está agora a ditar as regras no lar. Eletrodomésticos inteligentes que reduzem o tempo gasto nas tarefas domésticas, equipamentos conectados que podem ser controlados pelo telemóvel, ou aplicações que permitem adiantar ou agilizar as responsabilidades familiares são ofertas cada vez mais procuradas e valorizadas. “Todos os dias fazemos escolhas para ganharmos mais tempo e a tecnologia dá-nos uma ajuda muito importante neste domínio”, disse Bárbara Tomaz, Food Stylist da Bimby.

Agatha Arêas, vice-presidente of the Learning Experience do Rock in Rio, lembrou que a tecnologia não é sinónimo de sucesso por si só. São as empresas que têm que determinar como podem aproveitar ao máximo os recursos disponíveis. “Apesar de abrir uma janela de inúmeras oportunidades, a esfera digital dificulta a gestão de uma marca. Atualmente é mais fácil, mais rápido e mais barato chegar ao consumidor, mas um erro simples pode danificar ou mesmo destruir em pouco tempo a imagem de uma marca”, disse esta oradora. “A inovação sai das pessoas, não de um dispositivo ou da inteligência artificial”, acrescentou.

Renato Gomes, da Google Cloud Portugal, aproveitou este contexto para sublinhar o papel democratizante da tecnologia, e para lembrar que as expectativas das pessoas em torno da tecnologia estão a mudar. “A nossa capacidade de inovação está dependente de uma cultura de permanente reinvenção. As pessoas querem atingir os seus objetivos com o menor número de passos possível, e é isso que procuram nas soluções tecnológicas”.

O representante da Google lembrou que, apesar de o digital fazer já parte das nossas vidas, a infoexclusão ainda é uma realidade e as marcas têm que prever este cenário nas suas estratégias. “A própria tecnologia tenta colmatar estes gaps através de soluções de voz, de gestos e de imagem, mas ainda há um longo caminho pela frente que tem que ser feito pelos países, empresas e famílias”.

O discurso em torno da tecnologia é por regra promissor, ambicioso e positivo, mas Renato Gomes destaca que existe também um “lado negro” que tem que ser trabalhado. “A ideia é que a tecnologia melhore a nossa qualidade de vida, não o contrário”, afirmou. “A tecnologia está em todo o lado, mas o valor não”.