Conectividade é a palavra de ordem numa realidade que o 5G vai transformar

Inteligência artificial, IoT, 5G e realidade aumentada foram algumas das tecnologias em destaque na edição de 2019 do Portugal Digital Summit e que, consensualmente, são vistas como determinantes para potenciar um conjunto de novos serviços. Serviços que já estão a surgir e que prometem transformar a forma como nos deslocamos, consumimos ou planeamos negócios.

A chegado do 5G será o fator disruptivo para uma nova geração de serviços, e está a chegar, como sublinhou Manuel Eanes, administrador da NOS, na sessão “The Next Wave of Product and Service Innovations”, do palco Strategy for Digital, lembrando que a operadora já tem a primeira cidade portuguesa totalmente coberta com o 5G, que é Matosinhos.

As restantes tecnologias já cá estão e podem, já hoje, potenciar transformações importantes. “Hoje a tecnologia para fazer tudo isto já cá está”, disse o responsável e deu exemplos que integram a oferta atual da operadora.

Destaque para as soluções de IoT – para smartcities, gestão de edifícios inteligentes, soluções para o retalho ou saúde; análise de dados relativa ao fluxos de pessoas no país (turismo, por exemplo), que ajudam a identificar oportunidades negócio; ou de realidade aumentada, para promover novas experiências sensoriais e facilitar tarefas em contextos fabris, ou na gestão de centros de dados.

Portugal tem condições para se afirmar como um player TI importante

Portugal terá condições para garantir um lugar de destaque em algumas destas áreas, como a da mobilidade, admitiu Jochen Kirschbaum, COO da Critical Techworks e do BMW Innovation Lab. “ Portugal tem excelentes condições para se afirmar como um player TI importante nesta área”, sublinhou, destacando a qualidade do talento local, que na sua opinião deve ser potenciada criando as condições ideias nas empresas para deixar fluir e crescer as novas ideias.

A Critical Techworks está a criar uma nova geração de serviços para veículos conectados, numa lógica vertical e que abrangerá toda a cadeia de valor, atendendo às tendências que estão a marcar o sector e a algumas realidades incontornáveis. “O carro é hoje o terceiro espaço onde mais passamos tempo, depois de casa e do trabalho, e esse tempo pode ser usado de forma produtiva”, sublinhou Jochen Kirschbaum. A marca quer ajudar a criar condições para reaproveitar esse tempo.

Via verde quer ser a Amazon portuguesa da mobilidade

A mobilidade também é o negócio da Via Verde, que como admitiu Pedro Mourisca, CEO da empresa, está em transformação, a caminho de se converter num serviço que será cada vez mais usado através de dispositivos como o smartphone e que, a troco de um fee mensal, dará acesso a um conjunto de serviços.

É uma visão de futuro para um cenário que a Via Verde garante estar já a preparar-se, como atestam os cinco serviços digitais que a empresa lançou nos últimos anos, ligados a diferentes temas da mobilidade. Somam hoje dois milhões de downloads, que se juntam aos quatro milhões de clientes da Via Verde, que Pedro Mourisca quer converter na Amazon portuguesa da mobilidade, explorando a fundo esta lógica de player multiserviço.

Rui Miguel Nabeiro, CEO da Delta Cafés, partilhou na mesma sessão a estratégia de inovação da empresa alentejana, que passa por uma forte aposta na promoção do empreendedorismo e das novas ideias dentro de portas. O responsável apresentou o Mind, um modelo de inovação que a empresa usa para envolver os colaboradores e fomentar a apresentação e desenvolvimento de novas ideias.

Todos os anos a iniciativa tem permitido acelerar 10 ideias, que ganham acesso a tour internacional de inovação. Através desta e de outras iniciativas internas de inovação dentro do grupo já nasceram dois produtos e estão a caminho mais dois, revelou Rui Nabeiro. Ideias já foram registadas quase 800.

Tecnologias com poder de disrupção

Na sessão, o CEO da Delta sublinhou que a inovação é uma prioridade para o grupo, mas admitiu que é difícil perceber quais as tecnologias com maior potencial para no futuro alavancar essa inovação e os serviços que fornece ao cliente. Noutras áreas os caminhos são mais claros e os resultados objetivos.

António Miguel Ferreira, CEO da Claranet para Portugal, Espanha e Brasil, partilhou no evento uma experiência concreta do grupo na utilização de tecnologias disruptivas com um cliente, neste caso o machine learning.

O cliente é a Condé Nast e o projeto em questão é o Genius que permitiu catalogar e associar características às fotos na base de dados da revista, para que a seleção de imagens para cada artigo pudesse ser automática. A tecnologia foi ainda usada para criar um sistema automático de recomendação de notícias, para quem vê artigos online. Resultados já apurados: poupanças de tempo na publicação de artigos e duplicação do tempo passado pelos utilizadores no site, adiantou António Miguel Ferreira.